São Paulo, 18 janeiro de 2008 - 01:30.
em meio a tantos sorrisos e dias azuis, eis que surge avassaladora: a saudade!
(ouvindo Meu Esquema - Mundo Livre S/A e Fim de Festa - Itamar Assumpção)
meus dias já não têm passado, escorrem ensolarados por entre meus dedos cheios de duvidas e desejos... escorrem cada vez mais rápido e ecoam ao tocar o ‘chão do ontem’, dizendo: fui um dia lindo!
gostaria de cantar “há dias que até nem penso em você”... como te imagino cantar quase todas as manhãs frias, nessa cidade tão distante... mas não seria verdade, me contradiria em cada silaba, pois não há um só dia em que eu não meça a distância que nos separa!
confesso, triste, que há dias que te sinto tão ao norte, que penso que passaste do pólo e habitas, sonhador, outras galáxias... há dias, no entanto, que, de tanta ternura, te grudo ao meu corpo até derretermos juntos no calor desvairado desta paulicéia.
há dias indizivelmente bons e dias de pura ausência, mas não há um dia em que não haja você.
hoje, por exemplo, lhe escrevo essa carta, que sei que não lerás, porque transbordei dessa saudade que me inunda há meses e que sequer com você pude dividir.
essa saudade que vem aos poucos se acomoda num canto desprotegido do peito e se alimenta de minhas lembranças mais bonitas... como os dias frios em que dançamos e bebemos tanto, sem lembrarmos do triste fim que tem os amores à distância, dos dias em que lemos poesia para a noite escura de São Paulo, os dias em que cada folha e cada gota de chuva merecia um beijo nosso, para sentirem o prazer que sentíamos juntos... há, os dias, aqueles dias, tão doces dias...
mas em seus dias cada vez mais frios, você não lembra que aqui no sul, tão ao sul que te esqueces cada vez mais, acena um amor singelo, que sobrevive da esperança de viver novos dias como aqueles, aqueles tão doces dias.