quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

solitude


so lhe dão

completa
mente

na quietude
um sorriso me transborda

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

eis a questão.

és coisa que não existe
acontece.
                                  mas não posso, não quero, não devo.
                                  isso não acontece.


eis a questão.

o que aconteceu não existe mais
o que pode vir a acontecer
sabe-se lá, se virá, se acontecerá
então jogo tuas palavras no vento
e vá te embora peste
me deixe aqui dentro de mim
me deixe bebendo o mel do agora.

de imaginar não me movo
e eu quero o movimento continuo.

não espero
não nego
me iludi, não me iludo
e salto essas poças de pretérito (perfeito ou não) e futuro.
me jogo na enxurrada do presente


e que seja o que o agora quiser
no presente do indicativo:
eu aconteço.

sábado, 6 de dezembro de 2014

#partiu

(um barulho
urgência)
                L'alcool fait oublier le temps.
-tanto faz, vamos logo.
-para, te acalma nego!
-não! vem, vem vem, vamos?!
-por que?
-Se não for agora não irá nunca mais.
-Eu não não estou mais aqui, nem sei se algum dia estive.
-por que?

-porque deve haver mais...






quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

bodas de nada.

Hoje faz 5 anos daquele dia que me apaixonei.
a paixão passou.
descobri um amor tranquilo naquele olhar morteiro.
percorri o inimaginável, desci ao fundo do poço de mim.
vivi as dores e as delícias de viver junto de outra pessoa,
que, como todos, nós guarda um universo em si.
esse amor romântico também passou.
aceito todos os seus defeitos e te perdoo por  não aceitar os meus.
continuo te querendo bem, mas não te quero mais e esta tudo bem também.
celebraremos e agradeceremos todos os dias pelo amor vivido e pelo maravilhoso fruto colhido:
fruta compreensão, fruta paz, fruta amor, fruta Cléo... essa fruta que faz de nós: eternidade.

e pra nossa eternidade, poesia:

Amor, então, 
também, acaba? 
Não, que eu saiba. 
O que eu sei 
é que se transforma 
numa matéria-prima 
que a vida se encarrega 
de transformar em raiva. 
Ou em rima.
p.l.




quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Revisitar...

O que resta dela aqui?
Memórias apenas.
Fotografias.
Essa que te escreve é outra.
Tu não sei quem és, mas certamente não és aquelx que conheci.
Nunca ô é, disse, sabiamente, o poeta.
Pele, pupilas, querer, caminhar, sentir...
Ta tudo tão diferente por aqui.