quarta-feira, 25 de março de 2009

joana promete...

Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...




"Pode ir.
Ingratidão, humilhação, desprezo, solidão..
Encho a boca disso, cuspo pra dentro, faço um bolo de rancor bem no centro do estômago, me contorço de dor, mas vou convivendo com esse tumor.
Me estrago, me arrebento, me aniquilo, mas eu disse que pode ir.
Pode ir tranqüilo."
"não quero ter a terrível limitação de quem vive só do que é passível de fazer sentido.
Eu não: quero é uma verdade inventada"

(Clarice Lispector)





águas de março me escorrem na face.
lava d'alma toda a lama incrustada.
lava dos meus olhos cansados, o pó dessa cidade cruel.
lava, leva da minha boca esse gosto de rejeição e medo.
lava, água viva, lava do meu peito essa vontade de morte...
estado: liquido.