Tanto tempo depois revisitar essas memorias é como entrar n'uma casa abandonada, as vezes em ruínas, as vezes esperando apenas quem tire a poeira e à encha de cor e luz.
"Sim, eu poderia fugir, meu amor
Eu poderia partir
Sem dizer pra onde vou, nem se devo voltar
Sim, eu poderia morrer de dor
Eu poderia morrer e me serenizar
Ah, eu poderia ficar sempre assim
Como uma casa sombria, uma casa vazia
Sem luz nem calor
Mas quero as janelas abrir
Para que o sol possa vir, iluminar nosso amor."
(Tom Jobim/Vinicius de Morais)
É assim que tenho encarado as coisas, mas sem tristeza, só como belas memorias, as vezes um pouco doloridas, mas quase sempre bonitas. Não tenho mais vontade de voltar, vontade de ser outra vez.
Entendi que não é falta o nome do que me faz ficar horas rolando na cama todas as noites, é busca!
E a única coisa que podemos fazer é, durante o caminho, nos aproximar de pessoas, 'pra sempre' ou pelo tempo em que o prazer for maior que a dor. Porque quando a busca terminar acaba também o sentido de rolar na cama, de levantar de manhã.
Estou novamente no ponto Zero. E sim, isso é apavorante.
Não sei qual o sentido de nada, mas aperto forte sua mão e sei que te terei ao meu lado enquanto rolo na cama.