toda manhã, do lado de cá do fio, ouço, em silêncio, o despertar do lado de lá das pontes.
toda tarde pinto aqui um pôr-do-sol. sei que lá, alguém sabe que finjo, mas acredita que pinto.
toda noite, antes de dormir, deságua dentro toda a falta que já faz parte.
cotidianamente aguardar o rompimento, tecer poesias,
manter-se atenta em meio a queda
pra não errar a hora do vôo.
não há porto.
és então o ponto de partida da travessia.
