Ah, meu amigo, se eu soubesse explicar...
Mas também, às vezes, a Noite é outra:
sozinho, em postura de meditação
(será talvez um papel que me atribuo?)
suspendo toda a interpretação;
o desejo continua a vibrar
(a obscuridade é transluminosa),
mas nada quero possuir,
é a noite do sem-proveito, do gasto sutil, invisível:
estoy a oscuras: eu estou lá, sentado simples
e calmamente no negro interior do amor.
Rolando Barthes: Fragmentos de um discurso amoroso.
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