quarta-feira, 10 de outubro de 2007

30 anos de exílio da realidade. Castigo, sorte, amor?











Femme accroupie (Camille Claudel)











Ele a amava. não havia dúvidas: belo, interessante, sedutor, artista, mas 'um grande menino inseguro'. Jamais suportaria o peso de uma mulher como Camille.


Ela, por 'amar patologicamente', não compreendeu. inventou sua realidade, construi sua cidade de barro e marmore, e partiu.


somos Camille, passionais, intensas, selvagens e é por isso que nos amamos, porque enlouquecemos, com prazer, por amor. o que nos difere de Camille Claudel, é que em nossa realidade inventada há poesia, música, filosofia e a cima de tudo prazer.


Com olhos de paixão, penso não se pode misturar intensidade com tristeza, não se deve. dá uma vontade de voar, de respirar 'um ar menos triste'... ou ainda partir para uma realidade a vulsa, com fantasmas nossos, para a qual criamos anti-corpos. Corre-se o risco de não querer voltar. de preferir o exílio.


Talvez a unica felicidade possivel para o descomedido seja: não amar.







"há sempre qualquer coisa ausente que me atormenta" (Carta a Rodin - C. Claudel)



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