quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

eis a questão.

és coisa que não existe
acontece.
                                  mas não posso, não quero, não devo.
                                  isso não acontece.


eis a questão.

o que aconteceu não existe mais
o que pode vir a acontecer
sabe-se lá, se virá, se acontecerá
então jogo tuas palavras no vento
e vá te embora peste
me deixe aqui dentro de mim
me deixe bebendo o mel do agora.

de imaginar não me movo
e eu quero o movimento continuo.

não espero
não nego
me iludi, não me iludo
e salto essas poças de pretérito (perfeito ou não) e futuro.
me jogo na enxurrada do presente


e que seja o que o agora quiser
no presente do indicativo:
eu aconteço.

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