Os suspiros que não cabem, não se decidem pelo que vivem, pelo que são e pelo que doem...
Os suspiros que cantam meus dias, pensam nos cabelos dela, nas mãos dele, no sorriso bonito de um outro e naquele que já nem sei se existe ou se os próprios suspiros criaram...
Nas noites quentes eles tiram o ar e fazem a imaginação descer ladeiras e cantar músicas de pura invenção.
No frio cada pedaço de dor é suspiro contido e lembrança censurada.
Todos os dias é o querer descabido que fazem eles escaparem pela manhã.
Olhando em novos olhos, inventando novas histórias, revendo antigos personagens, ele surge feito faca afiada no peito e pronto: sou toda suspensão.
Se penso música, ele vem suspiro-assobio. Se estou corpo e esforço no trapézio, ele me vem dança no ar. Se cênica não me sou, ele me é.
Suspiro-sendo me ocorre, para que passe:
Quero que os cabelos dela me enrosquem feito fios de lã tecendo sonhos de não respirar.
Quero ser os rios que transbordam nas mãos do homem magro, ser nas veias dele o ar liquido. Quero ser o sorriso mais bonito do menino com pele de tambor, a gargalha que lhe tira o fôlego.
...E ao que não existe, peço que me tomes pelo braço e me salve. Que me leve, pra onde a vida não caiba no espaço do suspiro.
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